segunda-feira, 19 de março de 2012

 Biografia: Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira MG no dia 31 de outubro de 1902.
Estudou em Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ.




Alguns anos vivi em Itabira.

Principalmente nasci em Itabira.

Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.

Noventa por cento de ferro nas calçadas.

Oitenta por cento de ferro nas almas.

E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,

vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.

E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,

é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço:

este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;

este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;

este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.

Hoje sou funcionário público.

Itabira é apenas uma fotografia na parede.

Mas como dói!

Em Belo Horizonte era aluno interno no Colégio Arnaldo. Por problemas de saúde, interrompeu seus estudos no segundo ano.

Em 1921 publica seus primeiros trabalhos na seção "Sociais" do Diário de Minas. E em 1929 deixa o Diário de Minas para trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial do Estado, como auxiliar de redação e pouco depois, redator, sob a direção de Abílio Machado.

1937 - Colabora na Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.

                      A Praça da Estação de Belo Horizonte

Carlos Drummond de Andrade



Duas vezes a conheci: antes e depois das rosas.

Era a mesma praça, com a mesma dignidade,

O mesmo recado para os forasteiros: esta cidade é uma

promessa de conhecimento, talvez de amor.

A segunda Estação, inaugurada por Epitácio,

O monumento de Starace, encomendado por Antônio Carlos

São feios? São belos?

São linhas de um rosto, marcas da vida.

A praça da entrada de Belo Horizonte,

Mesmo esquecida, mesmo abandonada pelos poderes públicos,

Conta pra gente uma história pioneira.

De homens antigos criando realidades novas.

É uma praça - forma de permanência no tempo.

E merece respeito.

Agora querem levar para lá o metrô de superfície.

Querem mascarar a memória urbana, alma da cidade

Num de seus pontos sensíveis e visíveis.

Esvoaça crocitante sobre a praça da Estação

O Metrobel decibel a granel sem quartel

Planejadores oficiais insistem em fazer de Belo Horizonte

Linda, linda, linda de embalar saudade

Mais uma triste anticidade.


Em 1934 muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como chefe de gabinete, novo Ministro da Educação e Saúde Pública. Em 1940 publica seu livro "Sentimento do Mundo" que teve 150 exemplares.


Em 1987 foi homenageado pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira com o samba-enredo "No reino das palavras"  que venceu este carnaval.  No mesmo ano publica seu último poema: " Elegia a um tucano morto". No dia 5 de agosto de 1987, depois de 2 meses de internação, sua filha falece, vítima de um câncer, fato que deixa Drummond muito triste. Doze dias depois, Carlos Drummond de Andrade falece de problemas cardíacos e é enterrado no mesmo túmulo que a filha.

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