Biografia: Carlos Drummond de Andrade
Carlos
Drummond de Andrade nasceu em Itabira MG no dia 31 de outubro de 1902.
Estudou em Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de
Nova Friburgo RJ.
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso:
de ferro.
Noventa por cento de ferro nas
calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas
almas.
E esse alheamento do que na vida
é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me
paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites
brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto
me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas que ora
te ofereço:
este São Benedito do velho
santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no
sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça
baixa...
Tive ouro, tive gado, tive
fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia
na parede.
Mas como dói!
Em Belo Horizonte era aluno
interno no Colégio Arnaldo. Por problemas de saúde, interrompeu seus estudos no
segundo ano.
Em 1921 publica
seus primeiros trabalhos na seção "Sociais" do Diário de Minas. E em
1929 deixa o Diário de Minas para trabalhar no Minas Gerais, órgão oficial do
Estado, como auxiliar de redação e pouco depois, redator, sob a direção de
Abílio Machado.
1937 - Colabora na
Revista Acadêmica, de Murilo Miranda.
A Praça da Estação
de Belo Horizonte
Carlos Drummond de
Andrade
Duas vezes a
conheci: antes e depois das rosas.
Era a mesma praça,
com a mesma dignidade,
O mesmo recado para
os forasteiros: esta cidade é uma
promessa de
conhecimento, talvez de amor.
A segunda Estação,
inaugurada por Epitácio,
O monumento de
Starace, encomendado por Antônio Carlos
São feios? São
belos?
São linhas de um
rosto, marcas da vida.
A praça da entrada
de Belo Horizonte,
Mesmo esquecida,
mesmo abandonada pelos poderes públicos,
Conta pra gente uma
história pioneira.
De homens antigos
criando realidades novas.
É uma praça - forma
de permanência no tempo.
E merece respeito.
Agora querem levar
para lá o metrô de superfície.
Querem mascarar a
memória urbana, alma da cidade
Num de seus pontos
sensíveis e visíveis.
Esvoaça crocitante
sobre a praça da Estação
O Metrobel decibel
a granel sem quartel
Planejadores
oficiais insistem em fazer de Belo Horizonte
Linda, linda, linda
de embalar saudade
Mais uma triste
anticidade.

Em 1934
muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como chefe de gabinete, novo
Ministro da Educação e Saúde Pública. Em 1940 publica seu livro
"Sentimento do Mundo" que teve 150 exemplares.
Em 1987 foi
homenageado pela escola de samba Estação Primeira de Mangueira com o
samba-enredo "No reino das palavras"
que venceu este carnaval. No
mesmo ano publica seu último poema: " Elegia a um tucano morto". No
dia 5 de agosto de 1987, depois de 2 meses de internação, sua filha falece,
vítima de um câncer, fato que deixa Drummond muito triste. Doze dias depois,
Carlos Drummond de Andrade falece de problemas cardíacos e é enterrado no mesmo
túmulo que a filha.


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